Wednesday, February 14, 2007

sem título

Vagueei noite fora
Sozinho à tua procura

Procurei-te
à noite nas ruas escuras
nas sombras dos pálidos candeeiros
marcados pela ferrugem e tinta pendente
por entre a solidão nocturna dos jardins
onde os arbustos parecem dormir
senti a noite húmida
senti-me sozinho

Procurei-te
no murmúrio de cafés vazios
de televisões ligadas e balcões de aço inox
na solidão de centros comerciais fervilhantes
no silêncio da minha consciência
sem te ver a ti
continuei

Procurei-te
nas melodias ao vivo
nos bares que tu também gostarias
no turbilhão de discotecas psicadélicas
bêbado de ansiedade
na neblina tabagista de casas dúbias
nos corpos em que ansiava reencontrar o teu
mas não
nunca te encontrei

Procurei-te
nas páginas soltas dos jornais
por entre as críticas de cinema
no glamour de realidades tão diferentes
nos flashes incandescentes de galas nocturnas
sem te ver e sem me ver

Dei contigo sem querer
no silêncio urbano das rodovias ao nascer do dia
no vapor matinal e ritmado das filas de trânsito
nas rádios que ouço
em todas as músicas e noticiários
na frequência que o meu ouvido não capta
tu estavas lá

Dei contigo no cais
por entre a multidão laboriosa e atarefada
que passa em sentido contrário
na azáfama do dia-a-dia
em toda a beleza que reconheço
e com que me cruzo
Dei contigo em mim
para onde quer que olhasse
tu estavas lá

comigo ao lado

3 comments:

Shinguru said...

Procurei-te e finalmente encontrei-te. Andavas perdido, meu amigo.
Vejo que reencontraste (ou será que alguma vez perdeste) o dom da palavra...
Bem-Vindo!

Ela said...

Senti.
A presença.
Da ausência.

Um beijo

B. said...

Simplesmente LINDO... ainda bem que te encontrei___________

PARABENS


voltarei!

beijo